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Entrevista Belmiro Gomes: ‘Quem faz a função sabe mais do que a liderança’

10 set 2024
“A gente sempre usa a nossa história de vida a fim de que ela possa servir de inspiração para os jovens, para que continuem insistindo nos seus objetivos”, diz Belmiro Gomes, CEO do Assaí Atacadista. “Muitas vezes, as pessoas fazem tentativas e eu brinco que devem tentar de novo. Normalmente, é a última chave que abre a porta.” A lição de persistência do executivo é resultado de uma jornada de trabalho que deslanchou cedo. “Comecei como sorveteiro, então trabalho desde os 10 anos”, diz Gomes, em depoimento a Stela Campos, editora de Carreira do Valor, e Juliana Prado, da CBN, no novo episódio do podcast CBN Professional, uma parceria do Valor com a rádio CBN. “O ‘trabalho registrado’ veio aos 13 anos.” O gestor nascido em Santo André (SP) acredita que a bagagem de vivências moldou sua trajetória profissional e o cuidado que sempre teve ao lidar com funcionários e clientes. “Mesmo hoje, no comando de uma grande companhia, sei que vim de uma origem humilde”, afirma ele, que ainda trabalhou com contabilidade e informática no início da carreira. “Isso me permitiu conhecer a realidade da população.” Um dos gigantes do atacarejo do país, o Assaí, que completa 50 anos de atividades em 2024, soma 82 mil funcionários e 294 lojas em 25 estados. Em 2011, quando Gomes assumiu a presidência depois de uma carreira de vinte anos na rede varejista Atacadão, eram apenas 6,5 mil empregados. “No Atacadão, virei gerente aos 19 anos e assumi um cargo de direção aos 25”, conta. “Tinha uma equipe gigantesca de vendedores externos.” A experiência de gerenciar equipes a distância, a 200 ou 500 quilômetros, trouxe aprendizados. “Um dos maiores é que quem está fazendo a função [in loco] sabe mais do que a liderança”, ensina. Uma das formas de acelerar esse aprendizado é saber escutar os funcionários, garante. “Nunca acredito no primeiro ‘está tudo bem’ [na resposta de] um colaborador”, acrescenta. “Muitas vezes, os melhores insights para mudanças de processo vêm quando converso com um operador de caixa ou um repositor de mercadorias, que estão na linha de frente.” O executivo lembra que, durante a inauguração de uma unidade, conheceu uma funcionária terceirizada do serviço de limpeza. “Ela falou ‘já é a terceira loja em que trabalho para vocês’ e eu disse ‘que legal, você tem alguma sugestão?'”, relata. “Por conta dos argumentos dela, mudamos oito processos [de trabalho], muitos deles duplicados.” Gomes revela que uma das missões que abraça na empresa é criar uma cultura corporativa forte. “Acredito na liderança por inspiração”, afirma ele, que tenta estar presente em todas as aberturas de lojas da companhia. “Mas isso não significa que não vamos cobrar desempenho ou resultados.” A cultura, continua ele, é sempre o ativo mais importante de qualquer organização. “É a somatória de uma série de atitudes dos líderes e equipes que estão naquele ambiente”, diz. “Você pode ter outra empresa no mesmo ramo de negócio, mas nunca verá duas culturas iguais.” O CEO do Assaí é adepto da dobradinha qualificação-ascensão profissional. “Em um país com grandes desigualdades sociais, vejo a capacitação como um caminho para chegar a novas posições”, diz. “Todos nós queremos ter os esforços reconhecidos.” Segundo ele, a formação de talentos faz parte da receita de evolução do Assaí, dono de um faturamento de R$ 72,8 bilhões em 2023, 22% a mais que o registrado em 2022. “Desde que saí do Atacadão e fui convidado a assumir a empresa, foi necessário fazer uma reformulação de estratégias e da política comercial para preparar a expansão em outros estados”, diz. “Ali, já havia a visão de que o componente essencial para realizar isso, além dos recursos financeiros e da assertividade nas diretrizes de vendas e de ‘proposta’ para o cliente, era ter gente capacitada. O crescimento do Assaí precisa significar o crescimento das nossas pessoas.”
“Você pode ter outra empresa no mesmo ramo de negócio, mas nunca verá duas culturas iguais” – Belmiro Gomes
Nessa linha, foram idealizados um programa de trainees, voltado exclusivamente para os funcionários, com seleções que incluem provas e entrevistas; e uma universidade corporativa, com cursos em áreas como negócios, gestão e habilidades comportamentais. “Tivemos um programa de trainees aberto ao público, mas temos mantido a ação internamente”, diz. “Ajuda a formar a prata, o ouro e os diamantes da casa.” Para ouvir o episódio completo, é só acessar o site da CBN, as principais plataformas de streaming, como Spotify e Apple Podcasts, ou assistir pelo YouTube do Valor e da CBN.
Fonte: Valor Econômico – Globo.com